quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Das Raças Élficas

Durante muitas eras os Poderes e seus servos trabalharam na criação, que se tornava cada vez mais bela e habitável. Em Shelmar, a habitação de Guainu e os seres que havia criado, todos a amavam e a tinham como motivo de grande orgulho; principalmente quando os filhos de Darah começaram a se multiplicar. Foi nesse período que os Poderes designaram alguns dos servos para habitar na criação, pois as obras cresciam muito; e apesar de viverem longe de Guainu e dos seus senhores, os enviados eram muito felizes. Na verdade, muitas das famílias servis desejavam viver na da criação, pois muito a amavam. Assim, com consentimento dos Poderes, muitos deles deixaram Shelmar para habitar naquelas terras. E a chamaram Dombar, do outro lado. Assim aconteceu a primeira separação entre as famílias servis.

Os que permaneceram junto aos Poderes foram chamados Nagerins, fiéis, e eles se tornaram os mais belos, sábios e poderosos entre todos os servos. De tempos em tempos alguns deles eram enviados a Dombar levando mensagens dos Poderes aos seus irmãos ou para prestar o auxílio necessário, e eram sempre recebidos com grande alegria. Os servos que migraram para as terras do outro lado foram chamados Elfos, que significa viajantes. Os elfos dividiram-se e se espalharam por Dombar de forma que grandes agrupamentos se formaram, originando às chamadas raças élficas.

Os elfos de Taorn formaram a raça Candarin, que quer dizer luz azul. Alguns dos homens antigos os chamavam de elfos das águas, pois suas cidades eram construídas acima de lagos criados com o desvio de rios próximos. Foram designados para guarnecer a natureza; e com ela tinham uma conexão maior do que qualquer outro povo élfico. Quando necessário, transmitiam mensagens que percorriam longas distâncias através do canto das águas, do vento, das árvores ou até dos pássaros, e rapidamente vinha o socorro em auxílio. No centro das cidades eram plantadas as Nágens, árvores mágicas criadas pelos nagerins e cujos ramos frondosos cobriam a extensão de todas as casas. Suas folhagens proviam um sombreamento sublime, sob o qual os Candarin brilhavam.

Ellain, ou elfos da floresta é como foram chamados os aqueles que serviam a Darah. Eles habitavam em arendas, casas pequenas construídas no alto das árvores mais robustas, e que eram praticamente invisíveis a um viajante desatento. Viviam sempre próximos aos filhos de Darah, pois eram os responsáveis por cuidar de sua sobrevivência; e ensinavam a eles tudo o que sabiam sobre Guainu, os Poderes, a natureza e o artesanato. Assim como Darah, tinham grande habilidade com as mãos, sendo os mais excelentes na arte da caça, confecção de armas, roupas, e construções entre os elfos. Apesar disso, não construíam cidades; viviam em vilas suspensas nas florestas. O número dos Ellain era impressionante; foi superado apenas quando um triste desequilíbrio atingiu as terras de Dombar.

Os servos de Linfarth formaram as raças élficas responsáveis pelo equilíbrio entre e a luz e a escuridão. Canden, ou Filhos da Luz, eram os que habitavam o interior das estrelas. Entre eles estavam os maiores e mais fortes de todos elfos de Dombar, pois a luz de Guainu os fortalecia. Nos abismos e lugares ermos sombreados pelas trevas viviam os Loken, filhos da noite ou elfos negros. Eram valentes e exploradores; organizavam grandes expedições em busca das trevas não conhecidas e jamais voltavam de mãos vazias, trazendo sempre pedras e metais exóticos, plantas raras ou qualquer outra prova de seu sucesso.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Guainu e os Poderes

Antes que qualquer coisa fosse criada existia Guainu, o Poder Universal. Ele iniciou uma obra criadora, pela qual se formaram todos os astros, a Terra e os demais planetas. E formosa era sua criação. Desejou então compartilhá-la e criou para si seres que lhe fizessem companhia e o auxiliassem. A eles foi concedido o poder de criar e assim eles faziam segundo o coração de Guainu.

Guainu e os Poderes, como foram chamados entre os homens antigos, se amavam, e amavam sua criação. Aconteceu que certa vez Guainu propôs a eles a tarefa de criar a partir de seus próprios desejos. Deslumbrados com o desafio os três se retiraram de sua presença para que, na solidão de seus pensamentos, pudessem se decidir sobre o que fazer.

O primeiro a completar a tarefa foi Linfarth e ele se apresentou a Guainu levando a luz e as trevas; e elas eram separadas, de modo que, onde uma estava, a outra não permanecia. E linfarth ofertou sua criação a Guainu, que imediatamente brilhou e resplandeceu, e os Poderes se maravilharam, pois ao seu redor surgiu uma nuvem carregada de cores e beleza e ela se dissipou rapidamente sobre toda a criação, dando a cada coisa sua devida cor e aspecto brilhoso ao refletir a luz de Guainu, que agora também brilhava nas estrelas. E os Poderes também brilharam, e maravilhoso era seu brilho, mas Linfarth brilhava mais do que os demais.

Em seguida Darah apresentou sua criação. Inspirada por seu amor a Guainu e pela gratidão à vida que ele havia lhe dado, Darah usou da habilidade de suas mãos para moldar a vida, e a distribuiu a muitos seres que ela mesma formou. E eram todos muito belos. E então Guainu cresceu diante deles, e seu aspecto era terrível, e de si emanaram fagulhas que se formaram em criaturas maravilhosas, prostradas em reverência a ele. E à sua ordem elas se dividiram distribuindo-se entre os Poderes para servi-los, e o maior contingente serviu a Darah.

Por último veio a Guainu Taorn, e o fruto de sua criação foi o mais belo de todos, pois ele havia criado os sons e a música. E Taorn presenteou toda a criação de Darah com vozes e cantos, e assim os seres frágeis, os filhos de Darah, puderam aprender a falar. Então Guainu deixou de falar a eles em pensamentos, e pela primeira vez eles ouviram a sua voz. E quão terna e poderosa ela era, que toda a criação se encheu com uma doce melodia, que ecoou de montanha a montanha, de mar a mar, dando voz a todas as coisas. E agora quando os rios corriam, o vento soprava, e a terra tremia suas vozes eram ouvidas. E os Poderes e seus servos também passaram a falar uns com os outros, e Taorn era o mais formoso e amável entre todos eles.

Então os Poderes contemplaram Guainu, e este parecia mais belo e poderoso como jamais antes. E o amaram mais ainda, pois entenderam que ele nunca havia mudado. Eles, porém, mudaram, e podiam compreendê-lo melhor agora. E Guainu os estabeleceu reis governantes sobre tudo quanto fora criado. Porém alertou que jamais pousassem os pés na criação para interferir em seu destino.

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